21° aniversário de Gabryele Dias

Queria saber pintar para poder expressar o modo como vejo minha melhor amiga. Para poder mostrar que ela é uma sereia de Iemanjá, que nada pelos mares da vida encantando a quem entra em seu caminho, sendo farol em noites de tempestade, cantando justamente nos momentos em que os trovões assustam. Para provar que ela é uma ninfa do povo de Tétis, que possui os pés selados no ferro, caminhando sempre com bravura e esperança; que possui pérolas capazes de fazer os olhos de quem a vê brilharem de forma preciosa. Para lembrar que a Iara também é sua mãe e que a natureza não é apenas seu objeto de expressão, mas a manifestação do seu viver: equilibrado, colorido, sábio. Queria poder dizer o quanto ela é, porque há muito em ser ela.

Como a amo! O amor, de fato, foi o fio que costurou todos os nossos anos de amizade e que permanece a bordar nossa relação. No Livro da Vida, que aqui imagino estar sob as mãos de São Gabriel Arcanjo, seu onomástico, há um lindo desenho, em linhas de lã, de um Eduardo e uma Mônica de personalidades mistas, já absorvidos dos traços um do outro, olhando-se com ternura e gratidão. Há nós. E há também uma iluminura de uma rosa eterna, que marca a intensidade de nosso amor.

Deus sabia o que fazia quando nos uniu naquele ônibus que percorria minhas idolatradas ruas recifenses. Aquilo já fazia parte de um plano antigo. Talvez, antes da vida, estivéssemos no Céu, vestidos de branco, dizendo: “Calma lá! Não se esqueça de que vou te irritar! Essa será nossa razão para gargalhar.” E então, juntos, descemos à Terra para encarnar, já tendo combinado que não demoraríamos muito longe um do outro: a moça veio no dia dez; o rapaz viria dois dias depois.

Nós temos uma vida. Nossa. De ambos. Somos amigos com A maiúsculo. Não há rompimento por desentendimento, inflexibilidade em nossos pensamentos ou arrogância em nossas lições. Nós nos entendemos até quando não. Isso é quem somos.

Eu a admiro muito: pela farmacêutica que está se formando, pela filha que é, pela menina que nunca deixará de ser. E sei que ela também zela, em pensamento, por mim.

No fim, apenas posso dizer que a amo, já que as telas e os pincéis ainda não são territórios de meu domínio. Digo-lhe: “Junte o amarelo, o verde e o roxo. Saberás que o que resulta és tu.”

Desejo-lhe juventude em paz.
São vinte e poucos anos.
Lindo!

O pescador me confirmou
Que o passarinho lhe cantou
Que vem aí bom tempo

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