39° aniversário de minha madrinha de fogueira.

Madrinha,


Nanã abraçava Iemanjá quando Olorum anunciou a criação da senhora. O mar estava com a sabedoria ao descobrir que a filha viria. Aquela que viveria a dançar como a rainha; por vezes, a banhar-se em purificação; outras, a trabalhar-se na imensidão. As ondas foram convocadas a se fazerem presentes no processo. E a Avó pediu a Iansã que auxiliasse a forte Janaína.


Então, o trovão adotou a tua criação e disse-te: sentirás tão intensamente quanto sinto; movimentarás as forças da vida como apenas a luz é capaz; enfrentarás os dilemas de tamanha amplidão; porém, nascida das águas e do ancestral, terás paciência para ser tempestade de bênção, não de tormenta.


Olorum então concluiu teu corpo e disse a Ogum: sela com teu metal este invólucro e esta alma, para que a coragem da guerreira não se perca na carne indefesa. Com isso, sua pele fora revestida de bronze sagrado, e uma coroa em honra de Nanã te fora ofertada.


Assim se concluiu tua vinda e missão: virias à Terra aprender a guiar-te enquanto guias outros. E tens cumprido honrosamente, minha madrinha.


Quantas vezes me ouviste?

Quantas vezes me fizeste sorrir?

Quantas vezes me ensinaste o amor?


Não à toa és uma de minhas pessoas prediletas. Uma das que mais amo, valorizo e prezo (desde sempre, desde o princípio). Amava, na infância, a ideia de te ver. Eu sabia exatamente como seria: a senhora estaria linda, bem-vestida, com os cabelos tão bem cuidados, a nos esperar e a gritar, ao longe, “Anjinho”. Sempre foste a dinda da palavra no meu sistema cotidiano; aquela que sabia dizer tanto quanto sentia. Habilidade dos Céus.


Sou tão grato à senhora! A cada dia, tenho me transformado mais graças à senhora, pois sua influência nos torna mais gentis, empáticos e sensíveis. Com quem aprendi a saudar o mar, a Lua e o Sol? A reconhecer que a natureza nos lembra que estamos vivos? A valorizar a materialização divina? Com a senhora, evidentemente.


Se hoje digo que estou radiante quando a felicidade transborda em mim, é porque antes a senhora me apresentou isso. E atualmente é a palavra que mais me remete aos meus amigos. É algo que me ofertaste!


Recordas da música Cataflor, de Iorc? Para mim, é a nossa canção, e isso significa muito: somente aquilo que é importante na minha subjetividade tem um som literário dedicado. E sabe por quê? Porque a senhora é como o eu lírico: anda por aí a colher flores, belezas da vida, para mostrar o que o Universo fez com todo o amor. E também porque, quando te disse que gostava dessa música, a senhora, inexplicavelmente, entendeu que era a minha preferida. Ficou cômico na lembrança.


Escrevo-te tantas palavras para te mostrar o quanto te amo, madrinha. Teu aniversário é a natureza em festa; a ancestralidade em coro; a vitalidade em reencarne. Eu te celebro com todo o coração! Parabenizo-te por quem és!


Sejas feliz, minha Clareou.


Teu Anjinho.

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