Ode aos Serpas

Augustíssimos ancestrais,
n’águas etéreas velejais;
pois suas gotas maternas,
em terra, há muito, são gás.

O ar que soprou das vossas narinas,
no mar, criou, avistou e encontrou
as nossas jovens vidas.

Nosso oxigênio ressoou
e caminhou o andor
por causa da cor
que aí habitou.

Faço-me, então, cantor,
para artesanar a oração
que o velho me ensinou
e nomeou: “Ancestralizou”.

— Oh, anciãos, que ao chão presenteastes com o baobá,
que ao vento ensinastes a dançar com o tempo,
que ao Sol propusestes partilhar a luz com a Lua,
nós vos reverenciamos com humildade
e clamamos, pela justa piedade:
olhai por nós, encarnados, com sabedoria,
e concedei-nos a limpeza das janelas de nossas almas,
para que nossos olhos possam sentir as flores brotarem,
tendo o coração como guia de paz.

Quando nossa vez de renovar a vida bater à porta,
prometemos o eterno cumprimento do nosso pedido
para com aqueles que, nesta terra, deixaremos;
pois seremos ancestrais,
pais da doce filha,
a tensa humanidade.

E assim,
encerro,
no fim,
em verso.

Rogai
sempre
por
nós.

Dedico a: Ivani, Selma, Corina, Adalula, Nelson, Lourival, Elzira, Idália, João, Nair, Dilermando, Aderval, Aliete, Leobaldo (o jovem e o velho), Amélia, Joaquim (o bisavô, pai e filho), Ana (a avó, mãe e filha), Auta, Elvira, Zulmira, Artur, Bernardino (o antigo e o recente), Cândido, Cândida, Luís, Firmina, Carlos, Emídia, Vicente, Manuel, Ângela, José Teodoro, José Antônio e Maria Inácia.
Família Serpa.

Comentários

Postar um comentário