Ao meu muito amado avô Alexandre Banzay.

Hoje, 10 de agosto, é Dia dos Pais.
Semana que vem, dia 19, seria aniversário do meu avô.
Para mim, é o mês da sua recordação.

Por isso, hoje escrevo:
para lembrar vovô.

Para lembrar a pessoa que mais me moldou nesta existência. 

Somos tão parecidos! Quanto orgulho sinto disso! Seus trejeitos, seus gostos, seu legado... Tudo vive em mim. Se eu não houvesse nascido seu neto, provavelmente não valorizaria muito do que valorizo. Ele me deu muitos princípios. Ele me trouxe muitos aprendizados.

Ensinou-me que a alegria está no contato sincero com o outro, na amizade, nos laços familiares, nas celebrações, na resiliência e na permanência.

Foi também ele quem me ensinou a colar figurinhas num álbum, a assistir a desenhos animados com a calma de quem curte o momento, a decorar tudo aquilo que pudesse, a pintar formas geométricas, a ler com o coração e a escrever. Especialmente, escrever.

Dia desses, encontrei um texto seu que dizia, mais ou menos assim: Bobô, nascesse para escrever.

Tenho certeza de que ele ficaria feliz em ver que ainda escrevo e não tenho receio de publicar; que se orgulharia da construção da minha saga Legítimos e da trajetória da minha Vênus; que se reconheceria na minha escrita.

Vovô, que sofreu a perda, o capacitismo, o menosprezo, o dissabor... e ainda assim sorriu. Sorriu como quem apenas recebe amor, quando, na verdade, era ele o emissor.

Frequentemente o chamam de meu pai, e é o que ele foi para mim: a minha figura paterna, aquele em quem confiava e com quem era íntimo.

Ele era feliz por me ter, por tê-lo, por sermos um do outro.
Eu era seu neto, e, ainda mais, seu protegido. Inegavelmente.

Criança difícil, na presença de vovô, eu era incrível.
Sentia-me bonito. Até a fotografia, que eu detestava, aprendi a amar. Ele me ensinou que aquilo não era uma futilidade, mas um registro: a perpetuação de um afeto, momento ou fase existencial.

Vovô, companhia assídua, parte de minha vida.
Ele foi o que minha alma precisava, pois guiava-se pelo ideal: eu era seu descendente, semente da sua semente, herdeiro da sua carne e do seu espírito.

Te amo tanto, meu nonnino.
Quanto sinto tua falta!
Estaria feliz em estar contigo.
E poder te ligar quando padeço na montagem de móveis
ou quando revelo meu íntimo nas letras.

Sejas feliz, no nosso Universo.
És luz no divino.

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