À minha uvinha.
Martina,
Te escrevo alguns dias antes do teu nascimento. Quero que tu sintas, nesse teu período de transição entre o mundo espiritual e o material, todo o meu amor — porque eu te amo muito. Demais!
Tu és filha de uma prima que sempre agradeço a Deus por ter. Uma pessoa que me ensinou muito, mesmo com toda a distância física. Que me fez querer ser jovem, aprender outros idiomas, estudar mais, aceitar a vida como ela realmente é, amar sobre todas as coisas, me amar... Que me ensinou muito mais do que posso julgar ter aprendido. Tu és a filha de uma luz que ilumina o mundo mais do que ela percebe iluminar.
Tu nasceste do amor e do amanhecer, e teus caminhos sempre encontrarão os frutos dessa sensível semeadura.
Também devo te dizer que sonhei contigo antes mesmo de acreditarmos que virias. Em 2021, numa noite comum, eu me via entrando em um quarto simples, clareado pela lua, repleto de uma energia de tanto afeto... e eu te via, tão pequena, nos braços da tua mãe, que, feliz, sorria te olhando. Tua avó — tão especial quanto tua mãezinha — também estava alegre, serena, com a mão sobre o ombro esquerdo de minha prima. Meu coração se regozijava, e minha emoção era tão grande. Eu te olhava, colocava a mão sobre o ombro direito da tua mãe, e acordava, tão feliz, mas tão feliz, que tu nem imaginas.
No ano passado, também sem esperar, começou a vir surpreendentemente teu anúncio em meu pensamento, como uma voz que sussurrava boas novas. Uma frase pequena dizia: “tua prima irá engravidar”. Isso vinha sempre, quase todos os dias. Depois, veio: “tua prima está grávida”. E não cessava — quase todos os dias, uma vez a cada tarde. Até que tua mãe me contou: estava te esperando. Tu virias. E eras uma menina — como eu sonhara!
Martina!
Que nome mais forte!
Tu serás forte, meu amor!
Uma pequena guerreira,
de alma grande.
Te espero sempre. Não há um dia em que eu não lembre que teu corpo está se formando para dar abrigo ao teu espírito de luz, trazendo para minha prima um amor sublime. Vocês são almas que conheço há muitos séculos, e não há um segundo em que eu duvide disso. Eu sinto!
Quando eu publicar isto, tu já terás nascido — e o mundo terá ganhado mais cor! As flores terão dançado com as nuvens, e os anjos, no céu, terão ecoado a mais bela canção dos seus cânticos. Tu terás aberto os olhos e visto aquela que mais te amará — e que tão bem escolheste!
Eu te desejo vida longa, uvinha.
Uma vida longa, de amor e de alegria.
Que o Sol te dê a chama da bondade.
Que a Lua te ensine a clarear teus caminhos.
Que nosso Deus se faça em ti, e que tu sejas tão conectada a Ele que, a cada momento, Ele esteja em ti.
Que tua mamãe, teu papai e tua vovó te guiem em tua jornada com bravura e esperança.
E que tu saibas que te amo infinitamente —
e que dos nossos ancestrais, Serpa, tu também és herdeira.
Te celebro, rezo por ti e te emano o sentimento mais puro que o ser humano pode ter. E que tu saibas, minha uvinha, que, desde já, tenho orgulho de te ser.
Te desejo a paz, nossa pequena.
E o teu próprio amor.
Com carinho.
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